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12.3.13

O meu país


Ontem viajei até ao Concelho de Palmela, no Distrito de Setúbal, a convite do Agrupamento de Escolas do Poceirão e Marateca, para visitar várias escolas e falar sobre o “Afonso e o Livro”. Passei o dia a conversar com crianças que frequentam entre o 2º e o 4º ano do Ensino Básico, provavelmente das idades em que a capacidade de encantamento e a sinceridade na apreciação estão mais à flor da pele. Também conheci as suas professoras e professores, e desta forma fiquei a saber algo mais sobre os problemas que afetam os mais pequenos que por ali andam.


É bom lembrar que estamos a falar de lugares que estão a cinquenta ou sessenta quilómetros de Lisboa. E, por ali, há crianças que chegam muitas vezes à escola com fome. Crianças com pais adolescentes que, por sua vez, serão pais e mães bastante jovens também. Crianças tantas vezes vítimas das ausências de cuidados familiares. Crianças que estando a dez quilómetros de uma praia, nunca viram o mar. Crianças cuja única vez que foram a Lisboa foi no passeio da escola. Crianças para quem o fim-de-semana é brincar no quintal com o cão e ir ao Intermarché. Perante isto, a resposta que o Estado dá, é exigir mais resultados (leia-se, melhores notas) para que se mantenham apoios sociais mínimos, como um psicólogo na escola ou o alargamento de horários para aulas de apoio. Esquecendo, constantemente, de que por muito criativos que os professores sejam, os orçamentos mínimos não permitem que os computadores avariados, os projetores sem cabos, a energia para os aquecedores, os pavilhões sem paredes e as paredes com humidade, não se recuperam apenas com a vontade de sonhar.

No meu país, digam o que disserem na televisão, nos jornais, nas conferências de bem pensantes, continua a ser um milagre uma criança conquistar algo na vida. Como é óbvio, teremos sempre uns quantos que, felizmente, poderão estudar, formar-se, empregar-se, empreender-se e constituir-se como caso de sucesso para que o 10 de junho (feriado ou não) possa contar com os seus medalhados. Mas, no meu país, continuamos como sempre a deixar trás da cerca todos aqueles a quem não sabemos como ajudar. Não sabemos como proporcionar o planeamento familiar, nem os cuidados básicos de educação de uma criança. Não sabemos como ajudar famílias, nem como encaminhar as pessoas conforme aos seus gostos e às suas possibilidades. E, por mais chocante que pareça, atrás da cerca pode ser mesmo ali debaixo da A2, a estrada para onde tantas vezes passamos com destino ao melhor que Portugal tem (Sol &Praia à beira-mar plantados…).

Por isso ontem, quando visitei as escolas daquele agrupamento, e vi olhos que brilham, felizes, perante um livro e uma história, perante a possibilidade de se perguntar qualquer coisa a um crescido, ainda por cima um escritor, que está mesmo ali à mão de semear, percebi que apesar de tudo, estas crianças não sabem ainda de todas as limitações que terão no seu futuro (mesmo que percebam as do presente, ou não me dissesse um rapaz, da sabedoria dos seus dez anos, “sabe que a crise não me permite comprar…”). E perante isto, pedi-lhes aquilo que se pode pedir, seja a uma criança ou a um adulto: por favor, continuem a acreditar.

7.4.11

Encontro em Torres Vedras

A Biblioteca Municipal de Torres Vedras convidou-me, junto com a Amélie Bouvier, para nos encontrarmos com meninos de escolas do Concelho. Foram dois dias cheios de coisas boas.

Na terça-feira, os meninos da Boavista da Silveira, vieram até Torres no autocarro, para terem um dia fantástico. De manhã, vieram conhecer-nos e, depois, seguiram para o Parque Verde fazer um piquenique. Muitos destes meninos tinham imensas perguntas sobre como é possível o Afonso ter voado e visitado tantos lugares assim tão pequeno. Todos perceberam os grandes poderes da imaginação, numa longa conversa cheia de histórias de como se pode criar uma armadilha para escritores. A sessão não terminou sem que víssemos os trabalhos realizados pelos meninos desta escola, uma autêntica galeria de grandes trabalhos que mereceram a nossa aprovação, claro. Quem sabe, nas asas do Afonso e nas corridas pela relva do Parque Verde, não terão nascido mais umas quantas histórias maravilhosas.

Na quarta-feira, começamos por receber, durante a manhã, os meninos da escola da Costa de Água. Trata-se de uma pequena aldeia do interior do concelho onde, como me disse a professora, os correios demoram dias a entregar as cartas, e assim raramente têm tido oportunidade de visitar a Biblioteca Municipal. Mas desta vez tiveram muita sorte. Não só ficaram a conhecer melhor a história do escritor e da ilustradora do Afonso, como também aprenderam a fazer um livro, algo que poderão repetir em casa. As carências em pequenas localidades como estas são mais que muitas, e nem todos os meninos podem beneficiar de brincadeiras que o Afonso faz, mas em todos aqueles pequenos existe uma semente de imaginação e sonho que é preciso ajudar a desenvolver. Um deles saiu mesmo muito triste por não poder levar um livro com ele. Mas eu preparei-lhes uma surpresa. Hoje ou amanhã, chegará um pequeno embrulho à Costa de Água, provavelmente entregue pelo senhor do café. Quando abrirem o presente, os meninos vão ter mais três livros para ler e para rechear a prateleira dos livros. Livros como eles gostas. Com máquinas (A grande invasão), com coisas impossíveis (Quem quer um rinoceronte barato?) e com histórias de sonho e magia (Contos Contigo). Espero que possam ser ainda mais felizes.


Na parte da tarde, recebemos as turmas do primeiro ano da EB1 de Torres Vedras. Como nem todos conheciam a história do Afonso, houve sessão de contador de histórias. Entre o espanto e a gargalhada, os pequenos lá foram aguentando a energia que explodiu no momento de fazer perguntas. Quiseram saber tudo, não só sobre a história, mas também sobre o escritor e a ilustradora ali presentes. Muitos não se coibiram de dizer que já tinham experimentado fazer armadilhas para escritores (com redes e folhas), e alguns anunciaram a sua vontade de ser escritores quando forem grandes. Ficaram todos muito contentes por saberem que têm um escritor a passar à porta da escola deles todos os dias, quem sabe não terão a sorte de ver nascer uma história nos ramos das árvores do recreio. Havia de ser bonito.

5.4.11

Luís Filipe Cristóvão acompanha o livro da escrita até à livraria



Torres Vedras, Lisboa, 02 abr (Lusa)- Da escrita até à livraria, o percurso do livro está espelhado no quotidiano de Luís Filipe Cristóvão, autor de "Afonso e o Livro", uma história para crianças cujo protagonista procura o livro ideal.

Apesar da azáfama dos últimos três meses de promoção em escolas e bibliotecas em todo o país do livro "Afonso e o Livro", é em Torres Vedras, onde nasceu e onde reside, que Luís Filipe Cristóvão é ainda editor e livreiro, atividades que não esgotam a sua relação com a literatura.

O escritor é também responsável pela organização de eventos literários e pelo Encontro de Escritores de Torres Vedras, além de escrever para teatro e poemas para músicas.

Estas aventuras levam-no a encontrar semelhanças com a personagem do livro, o primeiro para crianças dos seis já publicados.

Afonso "faz grande parte do meu trabalho do dia-a-dia enquanto editor de livros, exceto subir às árvores e correr atrás dos gatos" diz, esclarecendo logo de seguida que quis partilhar com os leitores "a magia de perceber como um livro se faz".

E as semelhanças não se ficam por aqui: as aventuras de Afonso à procura do livro imaginário "estão a sugerir fortemente aos miúdos que eles se tornem leitores" à semelhança da personagem, um exercício de escrita idêntico ao de outras obras suas.

"A minha escrita procura aproximar-se do leitor para o trazer para dentro da história", explica Luís Filipe Cristóvão, acrescentando que, no caso de "Afonso e o Livro", tem descoberto por todo o país "muitos afonsos", crianças para quem o seu livro "foi mesmo o primeiro que leram".

Em contacto com os livros desde muito novo enquanto leitor, pelo "encanto pelas palavras, pelos livros e pela imaginação que nasce da palavra escrita", começou na adolescência a escrever os seus próprios poemas, mas só durante o curso de Literaturas Modernas começou a publicá-los num jornal local e na revista da Faculdade de Letras de Lisboa.

"Nunca encontrei uma função utilitária no poema. Ao pôr as palavras no papel tinha sensações estranhas, uma espécie de terapia pela escrita", refere,

Aos 32 anos, Luís Filipe Cristóvão é autor de outras cinco obras de poesia: "Registo de Nascimento" (2005), "Pequena Antologia para o Corpo" (2007), "E Como Ficou Chato Ser Moderno" (2007), "Santa Cruz" (2008) e "A Cabeça de Fernando Pessoa" (2009).

Depois de "Afonso e o Livro", ilustrado por Amélie Bouvier, o escritor promete para breve outros dois livros infantis.

4.4.11

Fazer um livro com o Afonso

No Dia Internacional do Livro Infantil, a Biblioteca Municipal de Torres Vedras convidou o Afonso para ser a estrela do dia. Numa das salas infantis repleta de miúdos e graúdos, começamos por ficar a conhecer melhor a história do Afonso e a sua grande aventura de fazer um livro, o seu livro preferido.

Como todos os meninos e meninas ficaram muito animados com este mistério agora descoberto, a Amélie ensinou-os a fazer o seu próprio livro. O resultado não podia ter sido melhor! Descobrimos uma série de artistas das histórias e das ilustrações, com o João, o Alfredo, a Mafalda, a Filipa, a Rita, o Pedro e mais uma série de grandes contadores de histórias a levarem para casa a sua primeira obra.

Em alguns casos, desconfio até que vamos ter grandes produtores de livros para o futuro, tal é o jeito e a alegria que colocaram na sua primeira obra.

Esta semana, eu e a Amélie Bouvier voltamos a estar na Biblioteca Municipal de Torres Vedras, a falar do Afonso para turmas de escolas do concelho. Ainda há inscrições abertas!

2.4.11

Dia Internacional do Livro Infantil

Por ocasião do Dia Internacional do Livro Infantil, a Agência Lusa escolheu-me como uma das notícias do dia.
É ver a versão "express" espalhada por aí:

Expresso

RTP

Visão

i online

Quanto a festas, já sabem. A partir das 15h30, na Biblioteca Municipal de Torres Vedras, eu e a Amélie Bouvier vamos ler a história do Afonso e ensinar como se faz um livro em casa. Até já!

1.4.11

Afonso no Bombarral

Na passada quarta-feira, o Afonso foi até ao Bombarral para se encontrar com os meninos e meninas do Agrupamento de Escolas de Fernão Pó.

A manhã começou com turmas do ensino básico. Havia muitas perguntas e curiosidades sobre o Afonso. Desde meninos que queriam saber se o Afonso existe na vida real, se já se fizeram filmes ou jogos a partir desta história, como é que ele apareceu na minha imaginação e como foram feitos os desenhos. Alguns meninos tinham também grandes ideias para livros que eu vou escrever no futuro e queriam muito dizer-me como eram bonitas as ilustrações da Amélie. Bem engraçado o momento em que, já perto do final da sessão, um dos miúdos, com cara de CSI, me fez esta pergunta/comentário: “quer dizer então que o seu objectivo é influenciar as crianças à leitura?!?”

A seguir vieram uns meninos mais crescidos, mas com igual curiosidade! O melhor momento da manhã foi quando me perguntaram sobre as minhas brincadeiras preferidas, quando eu era criança. Entre outras coisas, não pude deixar de referir a minha paixão por jogar à carica. E não é que descobri que isso já é uma coisa tão do passado que aqueles miúdos de 11 e 12 anos não fazem sequer ideia do que se trata? Pois bem. Ensinei a um deles os campeonatos de futebol que eu fazia com caricas e ele parecia ter descoberto a pólvora! Como brilharam os olhos dele. E, claro, fiquei eu todo orgulhoso por poder fazer renascer a importância do jogo da carica no Bombarral.

Depois, o almoço decorreu no restaurante pedagógico, onde pude comprovar o excelente trabalho que os alunos dos cursos profissionais de hotelaria estão a realizar. Na parte da tarde, houve ainda tempo para falar de poesia com um grupo de professoras e com uma aluna da Escola Secundária. Tudo tempo agradável, porque para além da simpatia das pessoas, a Escola do Bombarral tem das bibliotecas mais bonitas que eu já visitei (e sim, vale a pena ir até lá espreitá-la). 

26.3.11

Como se faz um livro

"Como se faz um livro. Esta talvez seja a forma mais sucinta de descrever Afonso e o Livro, mas é incompleta e redutora. Acrescente-se por isso outra ideia: como se cria um leitor. Assim é mais justo. Afonso sabia que “gostava muito, muito de um livro”, mas ainda não o tinha encontrado – nem podia. O livro que procurava não existia – ainda. O rapaz há-de conseguir criá-lo com a ajuda de todos os interveniente no processo de produção da obra: do autor ao revisor, passando pela ilustração, paginação e produção final. E tornar-se-á leitor. Uma articulação feliz entre texto e imagem facilita e entusiasma a leitura de uma história bem imaginada. A lembrar que há um livro especial para cada um de nós. Crianças ou (já) não."

Está no Público e no blogue Letra Pequena. Pela Rita Pimenta. 

25.3.11

Dois dias na Beira

Devido a um novo convite da Livraria Jardim, da Guarda, o Afonso viajou até ao interior de Portugal, desta vez para visitar escolas em Manteigas, Teixoso e Orjais. Quatro horas de viagem no final de tarde e início de noite até chegar a uma terra que foi esquecida por todos e que luta, cheia de limitações, para se manter viva. Durante essas quatro horas, pensei muitas vezes na falácia de estar de visita ao “país real”. Mas não.  O interior é, cada vez mais, o país irreal, esquecido, ignorado. Levar um pouco, por muito pouco que seja, às crianças daqueles lugares é um imperativo. Pouco mediático, mas seguramente muito efectivo.

Manteigas

Comecei o dia na EB1 de Manteigas, conhecendo um grupo de meninos dos 1º e 2º ano, para além dos meninos da Pré-Primária. Também vieram alguns meninos da aldeia de Sameiro e fui um deles, o Duarte, quem tinha várias dúvidas sobre as ilustrações do Afonso, às quais tive o maior gosto de responder. O grande problema era o facto de alguns dos bonecos aparecerem desenhados sem pernas, ao que tive que responder que se tratava de um desafio à imaginação deles. No fundo, o facto de não estar ali parte do desenho, dava-lhes total liberdade para imaginarem o que quisessem. Da parte da tarde, as turmas do 3º e 4º ano levaram a conversa do Afonso para o Futebol e houve discussão sobre quem era o melhor jogador do momento. Um dos meninos, que disse ser primo do Carlos Martins, tinha um favorito inesperado. Questões de família.

Antes da sair da EB1 ainda houve tempo para plantar um azevinho, assinalando o Dia Mundial da Árvore. Lemos um poema do Jorge de Sousa Braga e era já hora de seguir viagem para a EB2+3 de Manteigas, onde um grupo de alunos e professores me esperava para falar de poesia. Mudar de registo, em poucos minutos, não é fácil. Afinal estava perante um grupo de adolescentes de quem pouco sabia. A professora Eulália Pereira, que me acompanhou durante o dia, tinha-me incentivado a falar de um dos meus novos poemas, chamado “O pastor a solidão”. Talvez tenha exigido demasiado deles, embora tenham mantido o silêncio e a atenção durante a minha conversa. Talvez lá tenha ficado alguma coisa. Talvez.

Agora, se visitas às escolas não vos levarem a Manteigas, há uma coisa que deverá colocar esta vila no vosso mapa. Procurem a Albergaria Berne e provem o prato de Entrecosto e Enchidos com Migas de Feijoca. Acho que o nome diz tudo. Vá lá, todos a Manteigas.

Teixoso e Orjais

Quinta-feira foi dia de ir para perto da Covilhã, começando o dia na EB1 de Teixoso. Por ali, encontrei algumas grandes ideias sobre o trabalho dos escritores. Um dos meninos definiu, maravilhosamente, o trabalho da escrita, dizendo que é preciso fazer com que a história “soe bem”. Outra das meninas, anunciada por uma colega como a “melhor ilustradora” da escola, ficou intrigada com o facto de eu ser de Santa Cruz, dizendo que o costume é “os escritores serem de Lisboa e nunca virem ao Teixoso”. Por ali também fiquei a conhecer uma candidata a escritora, que até já escreveu histórias “de três páginas daqueles cadernos grandes”. Algo me diz que, por ali, há muita ideia bonita a fervilhar.


Depois do almoço, foi até Orjais, onde tive uma recepção em grande, com os meninos a correrem pelo recreio para me aplaudirem. Afinal, era mesmo a primeira vez que um escritor vinha até aquela Escola. As professoras Paula e Goreti fazem um trabalho espectacular com os miúdos, lutando contra as carências do lugar e da ausência de biblioteca na escola. Os meninos são incentivados à leitura e têm por hábito fazer fichas de leituras. A festa era tão grande que havia um enorme Afonso na parede, rodeado de muitos trabalhos dos alunos da escola, e, vim a descobrir mais tarde, até havia bolo.

Alguns dos meninos trouxeram uma câmara de filmar improvisada, de cartão, fazendo-me uma entrevista no final. Também estiveram presentes os meninos da escola de Vale Formoso e havia imensas perguntas sobre o livro e a escrita. Também aproveitei para ler a história em voz alta, para que os meninos percebessem a entoação que o escritor dá às palavras que escreve. Ainda houve tempo para uma sessão com os meninos do Jardim de Infância, um grupinho muito interessado e completamente ligado à corrente. A Raquel não esteve nada de acordo comigo quando eu lhes disse que os escritores passam despercebidos na rua. Afinal, ela mora em frente à escola, e se eu passasse por ali, ela saberia logo quem eu era. Já mesmo no fim da visita, a Beatriz achou que a história que eu ando a preparar, sobre um menino chamado Pedro, ainda não estava grande coisa. “Só isso?” perguntou ela um tanto indignada. A verdade é que vou ter que me esforçar mais para que a história comece a soar bem…

Antes de voltar a casa, não me posso esquecer de dizer como o bolo estava delicioso. E, ao que me parece, não restou nem um pedacinho para contar a história.


18.3.11

O Afonso no Porto

No início desta semana, o Afonso viajou até ao Porto.

A primeira paragem foi o Colégio Efanor, em Senhora da Hora, onde encontrei dois grupos. No primeiro grupo, com meninos de 4 e 5 anos, falámos muito sobre como se fazem os livros e que ideias são precisas para conseguir escrever um livro inteiro. Ficámos a saber que existem revisores nos livros, para além dos comboios, e também que o Afonso terá sobrevoado a floresta, não se desse o caso de vir a encontrar o lobo mau.
O segundo grupo eram meninos do 3º e 4º ano, logo a conversa foi bastante mais adulta. Aqui, os meninos quiseram saber o que se passa numa gráfica, que tipo de empresas tem tantos trabalhadores para fazer um livro, para além de eu ter lido a história de fio a pavio em voz alta (pela primeira vez desde que o livro saiu!). Uma parte muito interessante da conversa foi quando um dos meninos lembrou que tinha um livro com muitos erros ortográficos. Então, discutimos as várias razões para que isso tivesse acontecido. Uma troca de ficheiros na gráfica, um revisor distraído, talvez um revisor inexistente e, a minha preferida, talvez o livro fosse mesmo assim, com erros, à espera que os meninos os pudessem corrigir.

No final da tarde fui convidado para ir até ao Porto Canal, participar no programa “porto alive” onde falei do Afonso e do que iria acontecer no dia seguinte.

Na terça-feira de manhã estive no Auditório da Biblioteca Municipal do Porto, na Rua de São Lázaro, para me encontrar com os meninos do Abrigo dos Pequeninos. Um dos pais tinha-me convidado para os encontrar e eles vinham ansiosos por conhecer o escritor e por estarem na sala dos “grandes”. Os meninos conheciam já a história do Afonso e tinham-na bem fresca na memória, visto que foram eles que me ajudaram a lembrar de todas as aventuras que acontecem no livro. No final, também me falaram dos seus livros preferidos (o Ruca, do Batman, dos Dinossauros, do Homem Aranha vermelho e do Homem Aranha preto!), e quiseram saber mais coisas sobre o tamanho das letras.

Voltei a casa muito contente por ter feito mais todos estes amigos. Tempo ainda para agradecer à Livraria Index que apoiou todos estes encontros com os mais pequenos. Agora, é tempo de voltar a preparar as malas, já que na próxima semana o destino é Manteigas e Teixoso. Até já!

13.3.11

Ainda em Março...

Dia 14: Matosinhos*

Dia 15: Porto
Biblioteca Municipal de S. Lázaro
Início: 10h15
Entrada livre

Dia 23: Manteigas*

Dia 24: Teixoso*


*sessões em escolas, exclusivamente para os alunos das mesmas 

11.3.11

Visita à Escola João de Deus em Coimbra

A convite da Livraria de José Almeida Gomes, fui até à Escola João de Deus fazer várias sessões de apresentação do “Afonso e o Livro”, para meninos do Jardim da Escola e do Ensino Básico. Foram três sessões muito divertidas, sempre com a sala polivalente da escola cheia de crianças, cada uma delas com perguntas e dúvidas bem pertinentes sobre a história do Afonso e o que significa ser escritor.

As crianças ficaram logo muito impressionadas por eu ter demorado duas horas a chegar à escola. Mas alguns deles já tinham visitado a Praia de Santa Cruz. Quiseram saber tudo sobre como se fazem os livros. Tinham muitas dúvidas sobre a imaginação necessária para se escrever uma história. Queriam saber se eu gostava do que fazia e se me via a fazer outras coisas. E estavam em pulgas para conhecer mais histórias que se podem encontrar em livros.

Muito engraçado foi também conversar com um menino que estava seguro de que só existem dois Lourenços no mundo, “eu e um presidente”, disse ele. Quando eu lhe disse que conhecia um outro Lourenço que não era ele, nem presidente, ele teve resposta rápida: “então somos três”. Encontrei também alguns Afonsos muito contentes por haver um livro com o nome deles, e ainda outros meninos e meninas que me deram sugestões para outros nomes a utilizar nos próximos livros.

Também tenho que falar de uma Catarina. A Catarina é uma menina muito tagarela, que não parava de falar e espreitar quando estava na fila dos autógrafos. Antes da vez dela, veio um João pedir um autógrafo e eu disse-lhe que tinha um irmão com o nome dele. Depois ela, e quando eu lhe disse que tinha uma irmã com o mesmo nome dela, ela riu-se e disse-me: “tens tantos irmãos!”

Para acabar tenho que falar da oferta que me fizeram. Um livro chamado “Caldo de Poesia”, com poemas de vários alunos do 4º ano. O Martim foi o porta-voz da turma e ofereceu-se para ler um dos poemas, nem mais nem menos, o seu. Deixo aqui um excerto desse poema, enquanto vou preparando as malas para mais uma viagem com o Afonso!

“Os Portugueses tinham um sonho
De a Índia descobrir
E tiveram de tentar
Para esse fim atingir”

18.2.11

O Afonso foi à Guarda

O Afonso foi até à Guarda, a convite da Livraria Jardim.

Neve na Guarda
Foram três dias com muito frio e neve e visitas a seis escolas. Na segunda-feira de manhã, começamos com duas sessões na EB Espírito Santo, às portas do Centro Histórico da Guarda. Os alunos tinham feito algumas ilustrações sobre o “Afonso e o Livro”, algumas delas bem perfeitinhas, quase iguais às da Amélie. Da parte da tarde, a professora-bibliotecária Margarida levou-me até à EB de Alfarazes e depois ao Jardim Infantil do mesmo bairro. Com as turmas do 1º ao 4º ano tive uma sessão excelente, já que todos tinham perguntas muito interessantes sobre o livro, algumas delas bem complicadas de responder, como por exemplo um menino que me perguntou “porque tinha o Afonso o tempo a seu favor?”

Em Famalicão da Serra
No segundo dia comecei com sessões no Centro Escolar de Gonçalo, onde os meninos estavam muito interessados nas minhas viagens ao estrangeiro e também nas línguas em que falo. Uma das meninas presentes até me pediu para lhes falar em francês. Na biblioteca desta escola, tive também oportunidade de saber que, devido ao muito frio, havia muitos meninos com tosse, o que poderá vir a ser um bom tema para uma história. Ficou guardada a história na cabeça, e os meninos de Gonçalo com vontade de entrarem num livro. Depois do almoço, seguiu-se uma viagem até Famalicão da Serra, onde numa escola antiga e em obras, os meninos ouviram com muita atenção a maneira como o Afonso aprendeu a gostar de ler. Como nem todos estavam muito convencidos, algumas das crianças ficaram com a missão de lerem um livro, pelo menos “a cada quinze dias”.

O desenho da Ema (JI da Sé)
No último dia, a manhã trouxe um nevão ao ponto mais alto da Guarda. Ainda assim, e apesar de alguns pais “terem escorregado”, como me disse um menino chamado Rodrigo, fomos até ao Jardim de Infância das Lameirinhas, onde falámos de animais, de bruxas e do DVD do “Panda vai à Escola”. Para além disso, e liderados pelo Artur, que tem 5 anos e muita imaginação, criámos a história de uma menina chamada Leonor, que viajou até Paris para visitar a avó. Enquanto eu dava alguns autógrafos, o Artur ainda fez uma ilustração da Leonor a apanhar o avião. A última paragem desta viagem pela Guarda foi no Jardim de Infância da Sé. Tive uma grande surpresa, já que os meninos da Sala dos 5 anos, com a educadora Amélia, tinham feito uns belos retratos do escritor, a partir da descrição que aparece no livro. Depois disso, tive ainda tempo para visitar uma das Salas, e descobrir tudo aquilo que estes meninos fazem no seu dia-a-dia, para além de ter descoberto que andam a preparar um livro ilustrado com provérbios.

Foram três dias cheios, onde conheci imensos meninos e meninas, e onde o Afonso andou a ser descoberto pelas terras da Guarda. Ficou a promessa de voltar, com o Afonso e outras histórias, num futuro próximo. 

28.1.11

O Afonso foi à televisão

Numa casa bem bonita, por sinal, numa sala inventada para escritores, o Afonso foi à televisão.
Está tudo aqui.

20.1.11

Apresentação

Sábado vamos fazer a primeira apresentação pública do Afonso e o Livro.

A ocasião merece uma pequena digressão sobre a origem deste livro. A ideia surgiu de um desafio feito pelo Vitor Timóteo, dono de uma gráfica com quem trabalho há uns anos, para que eu escrevesse um texto que pudesse dar origem a um livro, isto com o intuito dele produzir esse livro e oferecer aos seus clientes e colaboradores. O desafio andou uns meses na minha cabeça, foi adiado por um ano, e acabou por dar origem à história do Afonso, esse rapaz que gostava muito muito de um livro que ainda não existia.

O Afonso é, no fundo, uma das  muitas pessoas que torce o nariz aos livros, como se torcesse o nariz à sopa. O que vão encontrar com ele, dentro deste livro, é que fazer um livro pode ser algo entusiasmante, descobrir segredos que num trabalho finalizado, muitas vezes, não surgem denunciados. O Afonso é também uma pessoa que acaba por descobrir as maravilhas da leitura e, dessa forma, tornar-se um ávido leitor de todos os livros do mundo.

Para lhe dar corpo, a Amélie Bouvier foi imprescindível. Os vários rascunhos nascidos a partir das palavras foram encontrar um Afonso que só podia ser mesmo aquele, um rapaz pequeno e aventureiro, capaz de vestir imensas peles, capaz de navegar e voar por um mundo que existe muito dentro da sua cabeça. E agora, este sábado, vamo-nos sentar numa livraria e mostrar o livro a todos os amigos que aparecerem. Como que a pedir que cada um leve o Afonso consigo e que possa assim descobrir quantos livros ainda estão por aí para ler.

Até já.


Afonso e o Livro - Sessão de Apresentação - Sábado, 22 de Janeiro, pelas 16 horas - na Livraria Livrododia, Torres Vedras. 

18.1.11

Começa a viagem

Todos os livros serão um só é um espaço onde vou falar dos meus livros e das viagens que faço com eles. O título, tinha-o guardado para uma possível edição completa dos meus livros de poesia. Chegado o dia em que isso parece fazer pouco sentido, chamo-o para o espaço virtual onde, para além da poesia, coabitam a literatura infantil, os livros lidos, os livros sonhados. Para o início da viagem trago o Afonso, personagem principal do meu primeiro livro infantil, tão bem desenhado pela Amélie Bouvier. É com ele que vamos andar nestes primeiros tempos. Venham comigo...