Situação concreta
percurso desfeito
mão perdida
na incontável
sede
de abarcar a vida
dentro do poema.
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24.7.15
23.7.15
Sem abrigo
Tudo é um enorme
relento
e as pessoas passam
para os cafés
fazendo de paredes
que se apagam
noite fora.
relento
e as pessoas passam
para os cafés
fazendo de paredes
que se apagam
noite fora.
22.7.15
Pior
Queria escrever pior
mais duro
qualquer coisa que arranhasse.
Queria também ser pior
menos acessível
alguém que incomodasse.
Quando lá chegar
não escreverei poemas.
Respirarei pedras.
mais duro
qualquer coisa que arranhasse.
Queria também ser pior
menos acessível
alguém que incomodasse.
Quando lá chegar
não escreverei poemas.
Respirarei pedras.
21.7.15
Fim do mundo
A janela aberta
porque é verão
nem tanto calor
assim
apenas a vontade.
Um cão que ladra
uma voz sumindo
ou dizendo melhor
subindo
a rua ao adormecer.
Uma música velha
as nossas distrações
o sumário do sossego
tão perto
do fim do mundo.
porque é verão
nem tanto calor
assim
apenas a vontade.
Um cão que ladra
uma voz sumindo
ou dizendo melhor
subindo
a rua ao adormecer.
Uma música velha
as nossas distrações
o sumário do sossego
tão perto
do fim do mundo.
16.7.15
15.7.15
Torto
Porque, vês,
não terá ficado claro
em livro anterior
onde se servia de bandeja
a cabeça do pai,
aquilo que vos quero,
num modo torto,
dizer.
não terá ficado claro
em livro anterior
onde se servia de bandeja
a cabeça do pai,
aquilo que vos quero,
num modo torto,
dizer.
14.7.15
Aviso
Agora que se contaminam
as vontades
e os poemas se interligam
como sempre,
registo com desagrado
evidente
a penúria e o maltrato
destas palavras.
as vontades
e os poemas se interligam
como sempre,
registo com desagrado
evidente
a penúria e o maltrato
destas palavras.
13.7.15
23.2.15
Nunca em vão
A estrada com sol
A estrada com chuva
A estrada de noite
A estrada de dia
A estrada
A estrada
A estrada
A estrada com chuva
A estrada de noite
A estrada de dia
A estrada
A estrada
A estrada
20.2.15
19.2.15
Novo chão
O poema desliza como a terra
no dia em que o rio salta as margens
e as avós gritam de mãos na cabeça
a horta os bichos o muro velho.
Tenho os pés enterrados no novo chão.
no dia em que o rio salta as margens
e as avós gritam de mãos na cabeça
a horta os bichos o muro velho.
Tenho os pés enterrados no novo chão.
18.2.15
Regador
Fiz várias vezes
o mesmo caminho
até o conhecer
de olhos cerrados.
Aspirei a casa,
lavei a roupa, a loiça,
e chorei baixinho
enquanto esperava.
Não terás assim como perceber
que me esqueci de regar as flores.
o mesmo caminho
até o conhecer
de olhos cerrados.
Aspirei a casa,
lavei a roupa, a loiça,
e chorei baixinho
enquanto esperava.
Não terás assim como perceber
que me esqueci de regar as flores.
17.2.15
16.2.15
13.2.15
Registo de interesse
Pouco dado,
não por ser
calado, mas
mesmo sem interesse.
Registe-se e assine-se
digitalmente -
para poupar o ar
mas não a gente.
não por ser
calado, mas
mesmo sem interesse.
Registe-se e assine-se
digitalmente -
para poupar o ar
mas não a gente.
12.2.15
Recado
Vê mas é se escreves
qualquer coisa que eu possa
por ti repetir
a quem o goste de ouvir.
Pode parecer peta,
mas não nasci poeta
qualquer coisa que eu possa
por ti repetir
a quem o goste de ouvir.
Pode parecer peta,
mas não nasci poeta
11.2.15
10.2.15
Cigano
Fogem de mim, com saúde,
os que medo da cura pressentem.
Fazem-se rijos, enquanto tremem,
dançam perdidos, de olho na burra.
Mal eles sabem que de cigano,
só tenho a barba e a palavra rude.
Pouco lhes posso fazer tal dano.
Fujam de mim, se têm saúde.
os que medo da cura pressentem.
Fazem-se rijos, enquanto tremem,
dançam perdidos, de olho na burra.
Mal eles sabem que de cigano,
só tenho a barba e a palavra rude.
Pouco lhes posso fazer tal dano.
Fujam de mim, se têm saúde.
9.2.15
Roda
Não digo que não me percebas,
sou eu que não me explico bem.
Mas se fosses em mim entendida
para que me quererias também?
sou eu que não me explico bem.
Mas se fosses em mim entendida
para que me quererias também?
6.2.15
Caçador
Da caça levo a agitação
e os risos altos da malta -
sempre fechei os olhos
à bicharada morta.
Sempre fui pequeno
para bater à tua porta.
e os risos altos da malta -
sempre fechei os olhos
à bicharada morta.
Sempre fui pequeno
para bater à tua porta.
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