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21.3.16

21 de março

Eu quero um dia
como os outros.

Onde o fundamental
não seja o dia.

Apenas a

poesia. 

2.2.11

Pequena morte. Pequeno prazer.

Um pequeno prazer. Chegar ao escritório e ver sobre a mesa um embrulho bem magoado por uma longa viagem - de tanto tombo, já o haviam coberto de plástico, ao original envelope de papel. Dentro, a revista pequena morte, com o tema futebol-arte, editada por Fernando Miranda e Raquel Menezes, da editora Oficina Raquel.

O pequeno prazer. Percorrer-lhe as páginas até lhe encontrar o meu nome. Estudar-lhe as letras, reler os textos enviados, à procura desse tempo que já passou mas ficou marcado no papel. Sorrir, perante as pequenas tonterías que sempre ofereço a quem me pede uma nota biográfica.

Mais que o prazer. Encontrar ainda livros do valter hugo mãe e do Luís Maffei, no envelope chegado do Brasil. Sentir-lhes a proximidade que textos e afectos permitiram. Ter a perfeita noção de que nada disto é mais importante que uma vida, alguma saúde, algum sossego. Ter a gloriosa sabedoria de que encontrar, nestas pequenas coisas, uma boa razão para ser feliz. 

24.1.11

Seremos poucos?

Diz a sabedoria popular que "palavras leva-as o vento". Talvez lutemos contra isso quando insistimos em grafá-las no papel, imprimindo-as em livros que, esperamos, fiquem para a posteridade. No entanto, o próprio futuro prometido parece escasso quando, à nossa volta, exista uma leve sensação de fragilidade no reconhecimento de quem escreve. 

O escritor é um trabalhador do silêncio, existe na reclusão de um exercício solitário, longe dos destinatários da sua mensagem. A própria leitura é um trabalho individual, assertivamente afastado do processo da escrita. Estamos assim nos pólos, escritores e respectivos leitores, existentes numa comunicação que, essa sim, leva-a o vento, tão dependente da imaginação de cada um ela subsiste. 

O momento de encontro do escritor com os seus leitores são os lançamentos, as apresentações dos livros. Mas, quem sabe o vento, quem sabe o frio, nos deixa também aí tão sós, tão afastados da realidade que acreditávamos ter sido capazes de grafar no livro. Os leitores presentes são leitores do passado, ainda não leram o livro que já foi escrito, e toda o encontro se baseia noutros valores que não os da reunião à volta de um texto. 

Ainda assim, os poucos que surgem, têm palavras que ganham contornos mais fortes que a brisa, talvez porque eles representem algo mais do que os leitores que são: a amizade, o respeito, o amor. E fica o escritor agarrado a essas palavras numa noite bem fria, onde se volta a disfarçar de homem diluído na multidão. 

Seremos poucos, então? Poucos para segurar a possibilidade do livro? Poucos para marcar alguém fora do círculo de proximidade? Seremos poucos os que sentem a necessidade de alguma presença? Ou é mesmo melhor continuar a relativizar as coisas, a ignorar as importâncias, a desviar o olhar das pequenas promessas, das ténues ambições, vivendo disfarçados de homem com casaco a sair cedo de casa para comprar o jornal? Sem tristeza alguma, eu sei que sim. Eu sei que sim. 

20.1.11

Apresentação

Sábado vamos fazer a primeira apresentação pública do Afonso e o Livro.

A ocasião merece uma pequena digressão sobre a origem deste livro. A ideia surgiu de um desafio feito pelo Vitor Timóteo, dono de uma gráfica com quem trabalho há uns anos, para que eu escrevesse um texto que pudesse dar origem a um livro, isto com o intuito dele produzir esse livro e oferecer aos seus clientes e colaboradores. O desafio andou uns meses na minha cabeça, foi adiado por um ano, e acabou por dar origem à história do Afonso, esse rapaz que gostava muito muito de um livro que ainda não existia.

O Afonso é, no fundo, uma das  muitas pessoas que torce o nariz aos livros, como se torcesse o nariz à sopa. O que vão encontrar com ele, dentro deste livro, é que fazer um livro pode ser algo entusiasmante, descobrir segredos que num trabalho finalizado, muitas vezes, não surgem denunciados. O Afonso é também uma pessoa que acaba por descobrir as maravilhas da leitura e, dessa forma, tornar-se um ávido leitor de todos os livros do mundo.

Para lhe dar corpo, a Amélie Bouvier foi imprescindível. Os vários rascunhos nascidos a partir das palavras foram encontrar um Afonso que só podia ser mesmo aquele, um rapaz pequeno e aventureiro, capaz de vestir imensas peles, capaz de navegar e voar por um mundo que existe muito dentro da sua cabeça. E agora, este sábado, vamo-nos sentar numa livraria e mostrar o livro a todos os amigos que aparecerem. Como que a pedir que cada um leve o Afonso consigo e que possa assim descobrir quantos livros ainda estão por aí para ler.

Até já.


Afonso e o Livro - Sessão de Apresentação - Sábado, 22 de Janeiro, pelas 16 horas - na Livraria Livrododia, Torres Vedras.