Mostrar mensagens com a etiqueta Rapaz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rapaz. Mostrar todas as mensagens

6.3.12

Pastores

Os que todos acreditavam sempre lá ter estado não existiam.
Os que sempre lá estiveram eram ignorados.
Revirar as ideias feitas como encontrar um rio que corre.
O Rapaz, mesmo sentado, nunca está no mesmo lugar.

4.3.12

Luso-quem?

Não só palavras, mas um estado de espírito que contamina a língua.
Sim, um ritmo.
Uma forma de re-inventar o Rapaz.

2.3.12

Chuva

Procurar a chuva não é a mesma coisa que fazer chover.
Certas lições são demasiado complicadas para se perceberem de uma forma simplificada.
E o Rapaz, esse cabrão, não simplifica. 

1.3.12

Amor

Dizes que é amor isso que sentes.
Não o consegues demonstrar.
Então pensas que abusando do Rapaz talvez lhe possas mostrar aquilo que trazes em ti.
E não há nada que o faça ficar ainda mais longe de ti.

29.2.12

Acção

Repetes a mesma coisa uma e outra vez.
O Rapaz tinha paciência.
Mas esgotou-se.

28.2.12

Palavra

Dizes uma palavra que te era proibida. Afinal existiam territórios que não tinhas o direito de pisar.
O Rapaz fica para sempre calado.

27.2.12

Adolescente

Cometes um erro no final da tua adolescência e assim comprometes uma paixão que não consegues esquecer nunca.
O Rapaz fica para sempre longe.

23.2.12

Recomeço

Era uma vez um Rapaz que tinha acabado.
E, no dia seguinte, um novo Rapaz aparecia.
Sem respostas para as perguntas.

22.2.12

Fim

E se um dia me vires voar, disse-lhe o Rapaz,
foca o teu olhar no tamanho das minhas asas.

21.2.12

Evasão

Era gente a mais, cabeças a mais, barulho a mais.
O Rapaz, de olhos fechados, no meio de tudo aquilo.
A pensar, apenas, em evasão.

20.2.12

Divisão

Por estes dias, não encontrava o silêncio.
Apenas a divisão.
A umas horas, o Rapaz sabia bem o que queria.
Noutras, apenas queria saber. 

16.2.12

Escritor

E depois começaram a confundir o Rapaz com um escritor.
Logo o Rapaz, que nunca escrevera mais de duas frases seguidas, a não ser em composições da quarta classe.

15.2.12

Voz

Reconhecia a voz de algum lado, mas não o olhar.
O Rapaz seguia, pé ante pé, pela noite, descalço.
Era um sonho ou uma qualquer partida do destino?

14.2.12

Máscara

Era de noite, estava frio e na rua corriam uns mascarados.
O Rapaz surpreendia-se, mas não muito.
O mundo é, mesmo, um lugar estranho

10.2.12

Calendário

Passaram os dias, sempre iguais.
Olharam-se as várias páginas do calendário, procurando-se passado e futuro.
O Rapaz está de acordo com os que o dizem banal, igual, desnecessário.
Mas como se tira a vida a um poema?

9.2.12

Encanto

Como um sorriso que apenas se conhecesse de um risco de lápis, o Rapaz entendeu o encanto.
Depois, adormeceu.

8.2.12

Consistência

Certos momentos exigem consistência, como se ao ser humano não bastassem as coisas como elas são, como se fosse necessário um carácter e um peso para cada pormenor da existência.
O Rapaz sabia disso e fugia às evidências.

7.2.12

6.2.12

País

O Rapaz não tinha país.
De noite, viajava por mundos dos quais só ele conhecia as fronteiras.

3.2.12

Final da semana

Sempre que é sexta-feira o Rapaz parece sentir-se mais leve.
É uma ilusão, sussurra-se a si próprio.
À leveza costuma aliar-se todo o peso da semana, em modo cansaço.
As pernas vão leves, rua acima, ao fim do dia, mas a cabeça é já um fardo demasiado para que renasça.