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17.3.11

A tentação da marquise 4

Já não há ternura. Não. Já não há sequer uma sensação de pertença. O laço desfez-se. Agora caminhamos juntos porque queremos estar juntos, nada nos prende a este lugar mais que a algum outro. O que podemos fazer por isto, continuamos a fazer. Mas nem uma nova construção lhe escapa. Está demasiado impregnado nas parcas opções que optaram ver. Se nos virem pelas costas, não pensem que desistimos. Apenas nos alistámos no que está para lá do visível. Para lá da tentação da marquise. 

16.3.11

A tentação da marquise 3

Falta saber, falta. Falta sobretudo pensar quando se lê – mesmo que não sejam letras aquilo que nos entra pelos olhos. Falta perceber o que conduz os nossos actos. Falta perceber o que dizemos, quando o dizemos. Falta perceber o quanto tempo permanecemos calados. Falta, ainda mais que tudo, perceber quando é importante manter a varanda, em lugar de optar pela marquise, apenas porque é inverno, e o vento, uma salinha, algo assim, faz tanta falta.

15.3.11

A tentação da marquise 2

Nunca pensar como um grupo, mesmo quando é em grupo que estamos. Nunca pensar que as coisas têm consequências, deixam marcas. Viver como se tudo fosse apenas uma festa. Apontar os dedos a quem escolhe outro caminho. “Se estamos aqui, porque não somos todos o mesmo?” Ninguém escapa à tentação de normalizar. As sensações, as descobertas. Viver como se tudo fosse apenas o hoje.

14.3.11

A tentação da marquise 1

Nem uma nova construção lhe escapa. A casa erguida em frente ao mar e, ao fim de uns meses de habitação, a varanda fechada, procura de sossego de costas para a sua própria natureza. Nem uma nova construção lhe escapa, nem a instrução, nem a humanidade. Todas as preocupações são, eventualmente, particulares. A tentação da marquise, o meu país.